A
História
"E tudo o vento levou" vai ser o maior fiasco
da história de Hollywood. Ainda bem que é o Clark Gable
e não Gary Cooper que está metido nesta alhada (Declaração
de Gary Cooper, uma entrevista em 1938).
"Este rapaz não tem o mais pequeno talento. Diga-lhe que desista
de pintar" (Edouard Manet a Claude Manet, referindo-se a Augusto
Renoir, 1864)
"Reagan não tem cara de Presidente" (um exclusivo da
United Artists ao chumbar na contratação do actor Ronald
Reagan para um dos papeis do filme The Best Man)
"Uma orgia de sons vulgares" ( Louis Sphor, compositor alemão,
comentando a quinta sinfonia de Beethoven, 1808 )...
Poderia continuar esta lista de frases feitas e posteriormente
falhadas até ao infinito, pois a capacidade do ser humano em dar
palpites infelizes não é um bem escasso.
Costumo dizer que o erro é o ensaio do certo. Confio piamente nisto.
Mal do homem que não erra. Mal de quem pensa que é perfeito
!
Não é o erro que me preocupa.
Não é aí que está o busílis da questão.
O chato é o errado que esconde o certo. É a análise
equívoca da que aborta um possível êxito.
O mundo está povoado de "ideia Killers". Gente que adora
cortar as vazes de quem tem algo de novo a dizer, a fazer, a mostrar e
a provar diferença, com a variante, com a opção.
Mas o medo é mau conselheiro porque o medo é reaccionário.
E a revolução não pode ser feita por medrosos.
Imagine que alguns dos visados nas citações acima mencionadas
tivessem vacilado e desistido dos seus projectos, das suas obras, das
suas vocações. Teríamos ficado privados de muita
coisa boa, útil, importante para as nossas vidas; E é a
gente como eles que dedico estas linhas.
No dia 23 de Outubro de 1998 decidi abrir um restaurante e pastelaria
na Rua de S. Luís em Faro. Era uma casa queimada, por inúmeras
gerências, por onde passaram muitas pessoas e onde ninguém
singrou.
Mais do que um restaurante com o nome das minhas origens ( Ribatejano,
sou natural de Coruche, distrito de Santarém), queria testar um
conceito: o de que era possível fazer um restaurante onde se comesse
bem, barato e onde todas as partes (proprietários, fornecedores
e essencialmente os clientes) ficassem satisfeitos com o resultado do
trabalho desenvolvido.
O Ribatejano nasceu com dois colaboradores, eu e a minha esposa. Hoje
somos quatro.
Nasceu com a filosofia de ter poucos e bons clientes; já os temos.
Nasceu com a lógica de fazer boa cozinha, mais barato e com bom
serviço.
Estes meses foram inesquecíveis, primeiro: porque trabalhámos
todos os dias, não porque somos workhaolics, mas porque adoramos
o que fazemos e segundo: porque não há nada melhor do que
olhar para trás e ver que foi feito quase tudo a que nos propusemos.
E quanto àquilo que ainda não foi feito, e é muito,
só posso dizer: VAMOS FAZER !
Acredito do fundo do coração que o mundo é dos fazedores.
De gente que em vez de ficar sentado a falar mal dos problemas e dos outros,
vai à luta e resolve-os.
Tenho a ilusão de que todos os que trabalham no e para o Ribatejano
se enquadram nesta categoria.
Neste nosso primeiro ano e picos, encontrámos opositores, descrentes,
traidores, pessoas que se puseram no nosso caminho como pedras. Ou que
atiraram as mesmas no nosso nome, que desejaram o nosso fracasso como
objectivo das suas vidas.
Mas a verdade é que eles estavam errados, o Ribatejano está
aí. Forte, feliz e de boa saúde a provar isso.
Por tudo isto, se tem algum projecto, algum sonho...faça como nós:
desconfie de quem lhe disser que não. É possível
que você esteja a investir a sua vida, o seu dia, as suas energias
num grande equívoco. Mas pode ser justamente o contrário.
E sabe como vai saber a verdade? Fazendo como nós ... tentando.
Tentar dói, cansa e pode até matar quem tenta. Mas será
que não é melhor morrer na trincheira da guerra do que escondido
debaixo da cama?
Ou como eu costumo dizer, "O verdadeiro derrotado é aquele
que nunca se arrisca a ganhar."
PS: Se teve coragem para ler isto até ao fim, você é
uma pessoa que gosta de experimentar coisas novas.
Venha Visitar-nos !!
por: Manuel Gomes
|